"Todos os amantes beijaram-se na minh'alma,
Todos os vadios dormiram um momento em cima de mim,
Todos os desprezados encostaram-se um momento ao meu ombro,
Atravessaram a rua, ao meu braço todos os velhos e doentes,
E houve um segredo que me disseram todos os assassinos.
(Aquela cujo sorriso sugere a paz que eu não tenho,
[...]
Dormir como um cão corrido no caminho, ao sol,
definitivamente para todo o resto do Universo,
E que os carros me passem por cima)"
Álvaro de Campos, A passagem das horas