"Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. [...]
Se viajasse, encontraria a cópia débil
do que já vira sem viajar"
"Paisagens são repetições [...]
Só não há tédio nas paisagens que não existem, nos livros que nunca lerei [...]
Ah, viagem os que não existem! [...]
Que me pode dar a China que a minha alma já não me tenha dado? [...]
Compreendo que viaje quem é incapaz de sentir [...]
Transeuntes eternos por nós mesmos, não há paisagem senão o que somos. Nada possuímos, porque nem a nós possuímos. Nada temos porque nada somos. Que mãos estenderei para que universo? O universo não é meu: sou eu."
Fernando Pessoa, O livro do desassossego