"Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite, [...]
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada"
[...]
"Não sentem o que há de morte em toda partida,
De mistério em toda a chegada,
De horrível em todo o novo...
Não sentem: por isso são deputados e financeiros,
Dançam e são empregados no comércio,
Vão a todos os teatros e conhecem gente...
Não sentem: para que haveriam de sentir?" *
Álvaro de Campos, *Nuvens
(refrão)
Somos todos barcos
Navegando na escuridão
Não reconheço meu irmão
Não reconheço meu irmão
O meu barco
É habitado por mim mesmo
Não tenho tripulação
Não tenho tripulação
Não sentem, não sentem, não sentem...
A desgraça do outro (não sentem)
A humanidade verdadeira (não sentem)
A morte do filho (não sentem)
O olhar sincero (não sentem)
As guerras presentes (não sentem)
O amor verdadeiro (não sentem)
As crianças morrendo (não sentem)
(repete refrão)
A ferida roendo (não sentem)
A bomba explodindo (não sentem)
O pós-modernismo (não sentem)
O ódio crescente (não sentem)
A desumanidade (não sentem)
As desigualdades (não sentem)
A sociedade doente (não sentem)
(repete refrão)
* música inspirada na obra de Fernando Pessoa
Composição: f. foresti
Arranjo: l. manzoni, fabiano foresti, daniel scopel, f. foresti
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